Devir e Esquecimento

A amargura que o dia prelude,

Tão concreta quanto o vasto carbono,

Mina minha fome, suspende meu sono,

Pois cada vil dia, ao passado alude.

 

Como esquecer o que ´inda não pude?

Onde guardar-me do jugo do assomo?

Quando arderá o meu grito, já mono,

Cravado fundo, num frio ataúde?

 

Quanto tempo cabe em um só minuto?

Quando minha pele toca este horto,

E quando encaro este verme arguto?

 

E no mar de pranto que crio sem porto,

Ergo um vestígio de um amor bruto,

Deito uma sombra de um sonho morto.

 

Myrna R.R.P.

 

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Published in: on abril 3, 2010 at 3:54 pm  Deixe um comentário  

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