Sobre as vadiagens de um homem feito…

A brejeira e o homem feito

A brejeira, tão moleca,

Incomoda a paz alheia.

Não que seja tão traquina,

Nem que seja faladeira.

 

O que muito incomoda

Na moleca tão brejeira

Está muito escondido

– Um segredo tão contido –

Que atiça o homem feito

Como cheiro ao pé do ouvido,

Ou fagulha no palheiro.

 

Mesmo sendo muito linda

– E por muito linda ser –

O segredo do feitiço

Não se encontra incutido

Na beleza do seu ser:

 

Não está no róseo delta

– O sorriso vertical –

Nem nos lábios tão carnudos,

Nem na mesticice forte

Tão flagrante em teu carnal.

 

O segredo da brejeira

É o jeito de enganar:

É o olhar meio de banda

– Digo, até dissimulado!

 

É o sorriso aciganado

Que em noites de lua cheia

Enche os tinos mais sagrados

Dos contos que a populaça

Sempre inventa das sereias.

 

RAFAEL DE SOUZA

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Published in: on julho 6, 2010 at 9:34 pm  Comments (1)  

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One CommentDeixe um comentário

  1. Esse me remeteu algo encantador… Como quando a gente gosta de alguém e vê beleza em tudo e em qualquer coisa, manja?
    Como Cazuza já dizia:
    “Pra que buscar o paraíso
    Se até o poeta fecha o livro
    Sente o perfume de uma flor no lixo
    E fuxica
    Fuxica”


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